Pergunto-me…como é possível?
A primeira vez que provamos determinada coisa, damos informação ao cérebro e categorizamos num contínuo emocional desde o aspecto mais negativo ao mais positivo. Além disso fazemos associações com algo semelhante, tirámos a foto mental do aspecto que tem para nós e guardamos! Pela vida fora, face a situações semelhantes, vamos comparando com as experiências anteriores e continuamos a arquivar! Há outro tipo de informação guardada que acedemos quando, na ausência da situação, nos pedem a opinião acerca desse assunto. Tudo isto é bastante simples…
Ora o problema surge quando, temos uma opinião favorável acerca das coisas mas não somos capazes de as apreciar! Pois é ...que se passa? Será que não guardo más recordações? Devia aceitar que as coisas podem não ter sempre o mesmo sabor…
Ou pelo contrário devo pensar que não sou obrigada a enganar-me a vida toda, só porque já me souberam bem. Se a natureza muda…o ser humano não tem de se manter estático aos pensamentos…blábla´blá!
Começamos então a arranjar desculpas para os acontecimentos, culpando as situações e as contingências. No caso das sardinhas podemos dizer: não é tempo delas, eram congeladas, foram assadas sem tripa, não são nacionais…etc!
Por melhores que estejam as sardinhas (ou outra coisa qualquer) e mesmo que toda a gente diga maravilhas enquanto as come…não sei o que se passa! Já ando há alguns anos a dar desculpas e continuo à espera daquelas sardinhas que estão na minha memória…que se calhar já nem existem! Entretanto olho para elas e apetecem-me...quando começo a comer...desisto!
Será que antigamente eram melhores? Lembro-me de comer as melhores sardinhas em Portimão e na Figueira da Foz. Acho que as minhas recordações são dessas sardinhas…pois como posso não as apreciar agora? Que desgosto! Penso que vou ter de aceitar que deixei de gostar de sardinha, pelo menos até voltar a esses locais.

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